Coronavírus

Alimentação fora do lar usa ferramentas digitais para faturar durante crise do Covid-19

Pequenos empreendedores de alimentos no Maranhão tem adaptado seus produtos para evitar a queda nas vendas, intensificando o uso do delivery e a atuação digital, além de manter o relacionamento com clientes.

Um dos segmentos mais afetados pela pandemia do Covid-19 é o segmento de alimentação fora do lar, tipo de negócio que tem bastante interação presencial com clientes.  No Maranhão, de acordo com dados do Sindibares, existem pelo menos 16 mil estabelecimentos no segmento, incluindo bares, restaurantes, cantinas, cafés, lanchonetes, dentre outros tipos de estabelecimentos.

Mas onde alguns veem problemas, outros enxergam oportunidades e os empresários deste segmento tem se reinventado e buscado alternativas para se fortalecer e atender a clientela durante a crise gerada pela necessidade de isolamento social, como forma de conter o alastramento desordenado da doença.  Em Imperatriz, visualizando a oportunidade, a empresária Mayara Munike Tavares Chávez, se reinventou em meio à crise e adaptou seus negócios.

Proprietária das empresas Rangoo Hamburgueria e Mathambre, Mayara refletiu para buscar saída. “Sabemos que nesse momento, agir por impulso não é a maneira correta. Estudamos e descobrimos por meio de pesquisa, que as pessoas com tempo em casa, têm pedido mais produtos que não tem hábito, produtos que não substituem as refeições. Hamburgueria é um ramo comum na cidade e o delivery ia cair e a concorrência aumentar. Optamos por investir na outra empresa, a Mathambre, que seria a escapatória e ainda ajudar outras pessoas”, explica Mayara. 

SOLUÇÃO

A empresária percebeu que a Mathambre, empresa que trabalha com serviços de catering (refeições coletivas) e finger food, seria a oportunidade para se reinventar no delivery e intensificar ainda mais a divulgação nas redes sociais. Especialmente por trabalhar também com eventos, outro segmento muito afetado pela crise do Covid-19 e diretamente atingido pelas medidas de restrição para evitar aglomerações.

Dados levantados pelo Sebrae e Associação Brasileira de Eventos (ABEOC), sinalizam inclusive que 95,4% do setor de produção de eventos é composto por Microempreendedores Individuais (MEI), microempresas e empresas de pequeno porte, somando mais de 297 mil empresas.

“Alguns de nossos produtos são fornecidos por pequenos empreendedores, que nesse momento não poderíamos deixar de fora, decidimos então colocar o delivery junto com eles, fechamos parceria com empresa de entregas e buscamos alavancar as vendas”, relatou a empresária.

“Nossos produtos são diferenciados e intercalam entre as principais refeições em casa. Diminuímos a quantidade de produtos em nosso cardápio, aumentamos o tamanho dos pães, por exemplo, e criamos um maior, bem apresentável, que seria opção para as pessoas comerem intercalando entre as refeições. Entramos também na produção de outros produtos junto aos fornecedores e disponibilizamos nossa página que tem alcance maior, para ajudar na divulgação dos produtos deles”, explicou Mayara.

CRIATIVIDADE

Já no município de João Lisboa, a autônoma Maria das Graças, que trabalha com a venda de lanches em casa, comenta que para não perder os clientes, intensificou ainda mais o drive thru, o que permite que o cliente compre seus produtos sem sair do carro.

“Tenho clientes fiéis que sempre lanchavam aqui num final de tarde ou à noite, nos adaptamos, reforçamos esse cuidado com ajuda das redes sociais, para adquirirem pela retirada do seu lanche sem sair de seu automóvel, de forma prática, rápida e sem perder clientes. E ainda reforçando e seguindo as medidas de higienização corretas”, explicou a microempresária.

O diretor técnico do Sebrae no Maranhão, Mauro Borralho, enfatiza que, apesar do momento de grande adversidade imposto aos pequenos negócios, existem muitas oportunidades que o mercado está apresentando.

“É importante que o empreendedor nesse momento perceba, mais do que nunca, sob o ponto de vista do cliente, analise esse mercado de acordo com o que os clientes estão necessitando. E a partir disso, tome decisões estratégicas, a partir dessas necessidades, inclusive no processo de gestão. Se faz necessário que o empreendedor trabalhe o desenvolvimento de novos produtos e soluções, que é possível com poucos investimentos”, reforçou Borralho.

Esta e outras dicas para os empresários que atuam no segmento de alimentação fora do lar serão tratadas na live que o Sebrae fará  em seu perfil do Instagran (@sebraemaranhao), nesta quinta-feira (16), às 17h, com o tema Prato do Dia: inovação pra sair da crise.    

 

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