Coronavírus

Pequenos negócios adotam inovação como arma para sobreviver na crise

Cenário de crise leva empresas a se reinventar, apostando na inovação e em produtos customizados para a necessidade do cliente, flexibilizando formas de pagamento e alternativas de atendimento.

Com avanço da pandemia do novo coronavírus no Brasil e no mundo, os pequenos negócios têm sentido os efeitos das medidas de isolamento social e do fechamento de estabelecimentos comerciais.

Inovar, mais do que nunca, virou palavra de ordem para quem quer se manter vivo agora e no pós-crise. Encontrar novos modelos e até reinventar o próprio negócio estão entre os desafios para o empreendedor.

Segundo a analista do Sebrae, Paula Waldira Bastos, esse cenário impõe às empresas e consumidores a adoção de novos hábitos e revela que modelos de negócios e de gestão devem ser repensados, revistos e reorientados.

“A crise surpreendeu empresas dos mais diversos tamanhos e setores e os pequenos negócio não estão imunes. Mudou o cenário, mas não se extinguiram as necessidades. As pessoas continuarão buscando meios para supri-las e as empresas precisam estar atentas para isso, para serem, por meio da inovação, capazes de converter essas necessidades em oportunidades”, explica a analista.

Por outro lado, a crise está colocando em evidência novos componentes aos quais as empresas precisam estar atentas: a necessidade de atitudes colaborativas, o impacto da inovação neste momento e no pós-crise, maior flexibilidade na relação cliente e consumidor, além da necessidade de atenção ao componente tecnológico.

“O momento favorece os negócios online e a customização de alternativas orientadas pela necessidade do cliente, amparadas pela tecnologia, o que não significa que tenham que ser processos complexos. Essa é uma grande oportunidade para empresas que ainda não estão no mercado digital e no e-commerce. Além disso, os empreendedores precisam observar as necessidades do mercado, ser flexíveis e adaptáveis às mudanças e precisam se mostrar capazes de entregar ao consumidor produtos e serviços sob medida para suas necessidades básicas, cada vez mais customizados”, frisa Paula Waldira.

Ela argumenta ainda que desse momento de crise, podem – e já estão surgindo – boas iniciativas baseadas na inovação. “Tendemos a achar que inovação é algo complicado e profundo. Mas, às vezes é algo simples, como a mudança em processos, aperfeiçoamento de produtos e no modo de fazer. Mesmo com todas as dificuldades, a crise abre oportunidade para sermos melhores, mais eficientes, colaborativos, inovadores e muito mais aptos para o uso de soluções digitais”, acrescenta a analista.

Inovação para prosperar na crise

Nesse cenário de crise, são numerosos os empreendedores que, mesmo preocupados com o futuro, apostam em inovação, que às vezes são pequenos detalhes para atravessar a crise em situação mais segura e até para prosperar, de olho nas oportunidades do ambiente pós-crise.

São pessoas como Marcos Folmer, dono do Ateliê Bolos & Pães Artesanais, especializados em bolos e doces à base de fermentação natural. No mercado desde junho de 2019, ele, que era originalmente funcionário público, investiu firme na atividade, até então um hobby. E não se arrepende da opção.

Antes da crise, apoiado pela esposa, Folmer já tinha conquistado alguns canais de comercialização fruto de parcerias e já detinha clientela fiel na capital, São Luís. Com a pandemia, a primeira providência foi a estruturação do delivery. Mas ele também apostou em melhorias nas embalagens para garantir segurança nas entregas, em propaganda maciça nas redes de relacionamento e em uma linha de produtos criados a partir da necessidade dos clientes.

Na Páscoa, por exemplo, além dos tradicionais pães brioche, pão de leite, sem lactose, integral, doces e bolos de sabor inigualável, ele criou uma linha especial – o pão 4 Estações (em forma de gomo, cada um com um recheio diferente) e a  Catarina Folhada (pão com recheios salgados e doces), tudo para oferecer opções diferenciadas aos clientes, facilitando também as formas de pagamento.

Com as encomendas crescendo a cada dia, ele ainda encontra tempo para fazer uma ação social – distribuir pães para profissionais de saúde em um dos hospitais de referência no tratamento da Covid-19, em São Luís. Serão 60 pães a cada final de semana.

“As pessoas querem consumir o pão tradicional, mas buscam também produtos novos, outras opões. Por isso, estamos sempre inovando, testando novas possibilidades, ouvindo o nosso cliente. Pensamos nessa linha, oferecendo ao cliente segurança, sabor, qualidade e atendimento ágil. E isso está ajudando nosso negócio a se manter de pé. E agora, durante a pandemia, estamos também doando semanalmente pães para hospitais que atendem aos enfermos, ajudando um pouco dentro das nossas possiblidades, mas nos fazendo presentes nesse momento”, resume ele.

Atuando há oito anos em um dos segmentos mais afetados pela crise, que é o de eventos, o empreendedor Shaullo Freire, dono da Maison Eventos (quatro anos no mercado), encontrou na crise a oportunidade de se reinventar. Com a realização de inúmeras Lives e transmissões ao vivo nas redes sociais lideradas por artistas de renome, Shaullo vislumbrou um caminho para manter o negócio em funcionamento, inovando com produtos inusitados  – o Kit Live, por exemplo, – e com pacotes customizados para pequenas celebrações, já que as aglomerações estão proibidas.

“Criamos o sistema Maison Delivery, onde ofertamos todos os nossos serviços aos clientes no conforto de suas casas. Um destes é o Kit Live, com petiscos para quem acompanha as Lives em casa, na quarentena. Tudo com o selo de qualidade da Maison e com muito carinho para que os nossos clientes se sintam acolhidos e possam curtir os shows, desfrutando de petiscos saborosos, que chegam quentinhos, acondicionados com toda higiene. Assim, eles não precisam sair de casa para comprar nada e podem se divertir com segurança”, explica Freire.

Além do delivery e dos kits Live, Shaullo reorganizou os pacotes de serviços, criando um para pequenas celebrações, customizado dentro da necessidade do cliente. “São duas alternativas em que a criatividade e a visão do mercado foram fundamentais. A receptividade está sendo excelente. Os clientes aprovaram e isso, certamente, vai ajudar a Maison a continuar no mercado e serão produtos que vamos incorporar no nosso portifólio desde já”, completa o empreendedor.

 

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