Coronavirus

Pesquisa do Sebrae aponta queda de faturamento dos pequenos negócios com a pandemia

Levantamento aponta queda de faturamento e impacto maior nas empresas que faturam até R$ 30 mil/mês

A pandemia de coronavírus trouxe impactos diretos à saúde com desdobramentos preocupantes na economia. Entre os pequenos negócios, o impacto mais evidente é no faturamento.

Dados coletados pelo Sebrae, no período de 19 a 23 de março e entre 02 e 07 de abril, apontam queda de faturamento para quase 90% dos negócios ouvidos. Na abordagem feita em março, 89,2% dos empreendedores ouvidos registraram diminuição, enquanto 2,5% apontaram aumento de faturamento e 3,2% revelaram não haver alterações no período.

Na semana de 02 a 07 de abril, sem alterações significativas no quadro, entre os empreendedores ouvidos, já são 90,91% os que apontam queda no faturamento mensal, enquanto 2,4% registraram aumento de faturamento e 2,9% disseram não ter havido alterações no faturamento habitual.

A pesquisa revela, ainda, que a queda de faturamento já supera mais de 50% para 69,3% dos negócios pesquisados e que, nessa situação os empreendedores conseguem manter os negócios e honrar seus compromissos por 23 dias, em média, isso para 35,8% dos negócios ouvidos.

Entre os negócios pesquisados, as empresas de pequeno porte são as que suportariam mais tempo nessa condição, com média de 26 dias; entre os MEI’s, a média cai para 22 dias e, entre as microempresas é de 23 dias.

Com relação às perspectivas de volta ao normal, os MEI’s são os que apontaram maior otimismo. Para os MEI’s, a média de prazo é de nove meses; para as microempresas, de seis a 12 meses, enquanto para as empresas de pequeno porte a expectativa de retomada é de 12 meses para mais.

“A situação evidenciada nos dados coletados pelo Sebrae sinaliza a necessidade de que sejam intensificadas as ações de apoio aos pequenos negócios. O cenário da pandemia nos coloca diante do desafio de gerar soluções rápidas e eficazes para os pequenos negócios e de um esforço conjunto de todos os segmentos e agentes que podem colaborar em favor desse objetivo, justamente para apoiar a sobrevivência dos pequenos negócios”, comenta o diretor Técnico do Sebrae no Maranhão, Mauro Borralho.

“A pesquisa contribui para ilustrar importantes desafios existentes para a sobrevivência das empresas e retomada da dinâmica econômica, como a transformação digital das pequenas empresas, a mudança no modelo operacional dos negócios tradicionais, o aprimoramento na forma de gestão administrativa e financeira, a utilização de estratégias de relacionamento contínuo com os clientes e o desenvolvimento de uma economia mais cooperativa e de valorização dos pequenos negócios urbanos e rurais, que correspondem a aproximadamente 99% das empresas existentes e que contribuem com cerca de 56% dos empregos formais no estado”, acrescenta o diretor Técnico.

Mais dados – A pesquisa foi realizada pelo Sebrae em duas etapas. A primeira, de 19 a 23 de março, tendo sido ouvidos 9.105 empresários de todas as unidades da federação. E a segunda, de 02 a 07 de abril, com a participação de 6.080 empresários. Nas duas sondagens foram ouvidos empreendedores individuais (46,5%), microempresas (27,9%) e empresas de pequeno porte (25,6%), do comércio (49,3%), indústria (6%), serviços (44,2%) e agropecuária (0,4%).

As empresas ouvidas, maioria está no mercado há mais de 10 anos (31,3%); seguidas por negócios com tempo de mercado entre três e cinco anos (25,9%); e negócios com seis a 10 anos de mercado (24,2%) e daqueles que tem até dois anos no mercado (18,5%).

A maioria delas tem faturamento médio de até R$ 6 mil/mês (38,7%), seguidas dos negócios com faturamento médio mensal de R$ 7 a 15 mil, que somam 14,1% dos ouvidos na pesquisa, de 7,6% que faturam entre R$ 31 e 60 mil/mês;  Na outra ponta, 3,6% dos ouvidos faturam acima de R$ 200 mil/mês e 4,5%, de 100 a 200/mês.

O levantamento aponta a variação na queda e elevação de faturamento, comparado a uma semana normal de trabalho antes da crise. Para os negócios que apontaram redução de faturamento, na comparação com a semana normal antes da crise, o declínio (dados de 02 a 07 de abril), em média, é de 74,8%, contra 69,3% na semana de 19 a 23 de março.

Para os negócios que apontaram elevação de faturamento com a crise, o percentual de crescimento foi de 47,2% (dados de 02 a 07 de abril), contra 21,1% na pesquisa realizada em março. Entre os segmentos mais beneficiados estão alimentação fora do lar, farmácias e supermercados.

Com relação ao pessoal ocupado, a pesquisa já aponta os impactos da queda de faturamento na manutenção de postos de trabalho, revelado nos dados coletados em março e abril. No período de 19 a 30 de março eram, em média, 6,8 colaboradores por negócio entre os pesquisados, número que caiu para 4,7 na sondagem de abril.

Com relação ao sexo, 53% dos negócios ouvidos são comandados por mulheres e 47% por homens.

“Como agente voltado para apoio aos pequenos negócios, o Sebrae tem empreendido todo esforço e voltado toda a sua estrutura, capacidade de articulação e expertise para estar junto formulando as soluções, mas, efetivamente, fazendo com as soluções cheguem de fato à ponta e concretamente ajudem os pequenos negócios neste momento em que eles precisam reorientar suas ações, reinventar práticas e até rever a forma de atuação”, explica o diretor Técnico.

Situação do Maranhão não difere do Brasil

Queda de faturamento entre negócios ouvidos pelo Sebrae já é de 90,91% para mais de 50% dos empreendedores consultados no Maranhão

 

No Maranhão, os dados coletados pelo Sebrae nas duas etapas da pesquisa indicam situação semelhante à do País, com impactos diretos das medidas restritivas e de isolamento social no faturamento dos pequenos negócios ouvidos.

A queda registrada na semana de 19 a 23 de março foi de 89%, contra 2% de negócios que revelaram elevação de faturamento e 3% que disseram não ter havido alteração. Na primeira semana de abril, os empreendedores de pequenos negócios consultados pelo Sebrae apontaram queda de faturamento de 90,91%.

Em termos de perdas no faturamento, para 68% dos ouvidos, o declínio é de 72% com relação ao faturamento normal, em média. Entre a maioria que percebeu queda, houve um pequeno aumento no agravamento da queda em relação a 1ª edição, de 65% para 72%.

Relativamente ao pessoal ocupado no Maranhão, entre os negócios ouvidos, na semana de 19 a 23 de março eram, em média, 4,6, tendo sido registrada queda no número de ocupações na semana de 02 a 07 de abril, para 3,1.

No estado já são 31,9%, entre os consultados, os que apontaram demissão de pessoal, contra 17,2% que optou por não demitir no primeiro momento e 51,5% que disseram não ter colaboradores.

Com relação ao tempo que acreditam ser possível manter os negócios abertos com as medidas de restrição, 33% revelam capacidade para manter por até 1 mês; 27%, de dois a três meses; 11%, de três a quatro meses; 20%, de cinco a seis meses e 28% disse não saber avaliar o tempo necessário.

A pesquisa mostra que os impactos da pandemia no Maranhão atingem em cheio negócios com faturamento de até R$ 6 mil (36% do total dos ouvidos), seguidos dos negócios que faturam de R$ 7 a 15 mil (20%); de R$ 16 a 30 mil/mês, 3%; entre R$ 60 e 100 mil/mês, 5%; e de R$ 100 a 200 mil, 25% dos ouvidos preferiram não responder.

As empresas maranhenses consultadas revelam que os custos que mais afetam seus negócios neste momento são obrigações com empréstimos e dívidas (45%), custos com pessoal (44%), matéria prima (41%), aluguéis (38%), impostos (33%) e outros custos, 13,6%, lembrando que a questão permitia mais de uma resposta, elencando-se os custos por ordem de importância.

“Esses dados impõem aos agentes econômicos, às instituições públicas e privadas, às entidades de classe, aos agentes de crédito, a união de esforços e o compromisso de se voltarem para os pequenos negócios, para que possam atravessar a crise em condições de superar os obstáculos, mas também de olhar para o futuro e até identificar oportunidades em um eventual cenário de retomada da economia”, conclui o diretor Técnico do Sebrae no Maranhão, Mauro Borralho.

 

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